Proposta da Vereadora Laiz Perrut

“Veda homenagens a escravocratas, ao Golpe Militar de 1964, à Ditadura Militar brasileira e a condenados definitivamente por crimes contra a humanidade, violação aos direitos humanos, exploração do trabalho escravo, violência doméstica e familiar contra a mulher e por crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, no âmbito da Administração Direta e Indireta do Município de Juiz de Fora.

A ilustre vereadora deveria estudar um pouco de história para entender antes de apresentar um projeto dessa natureza.

Vai mudar o nome dessas ruas? Barão de Cataguases; Barão de Juiz de Fora, primeiro presidente da egrégia Câmara onde essa vereadora milita e que doou o terreno onde foi construído o primeiro cemitério público de Juiz de Fora; Barão de S. João Nepomuceno que na guerra com o Paraguai conseguiu arregimentar quase 6.000 voluntários para defender o Brasil; Barão de Santa Helena; Barão de São Marcelino, devido a um projeto de sua autoria a cidade passou a ter o nome de Juiz de Fora; Barão do Retiro; Barão de Bertioga que, junto com sua esposa, a Baronesa Maria José Miquelina da Silva fundou a Santa Casa; Vai mudar o nome da rua e do Instituto Candido Tostes? E da Rua Antônio Dias? Entre outros, pois eram todos escravocratas.

Vai mudar o nome da rua da rua Padre Tiago em São Mateus? Ele perseguiu os protestantes e metodistas não permitindo seus sepultamentos no Cemitério Municipal e da avenida Garcia Pais Lemos (acesso Norte) que construiu o Caminho novo com mão de obra escrava.

Mariano Procópio, museu, Rua Bairro, muda de nome, pois a vereadora entende que ele construiu a estrada União indústria, também, com mão de obra escrava, apesar da proibição de D. Pedro II.

Sobre os nomes do período militar pós 1964, outra parvoíce, nesse período aconteceram muitas situações históricas importantes, por exemplo, foi na década de 1980, por ações dos governos militares, conduzida pelo ministro Alisson Paulineli que o Brasil deixou de ser importador de alimentos para alimentar, hoje, 20% da população mundial.

Em Juiz de Fora, na década de 1970/ 80, foram realizadas diversas obras importantes para o desenvolvimento da cidade tais como: instalação da Siderúrgica Mendes Júnior, Mergulhão, construção do acesso da cidade à nova BR 040, inclusive a própria e início das obras do novo terminal rodoviário, tudo com verbas federais fornecidas pelo governo militar. Em nenhum outro período a cidade se desenvolveu tanto. O campus Universitário, onde a vereadora se formou em História, foi viabilizado nessa época, com muitos recursos enviados pelo governo dos militares

Além disso essa abertura permitiria que outras pessoas, de ideologias diferentes, alegando o mesmo direito, solicitassem, também, a mudança de nome de ruas de acordo com suas ideologias, por exemplo: Mudar o nome da Av. Jango Goulart, que dá acesso a um grande supermercado, modificar o nome da Av. Getulio Vargas, pois, esse foi o maior ditador de todos os tempos, no Brasil que perseguiu os imigrantes alemães e italianos de nossa cidade.

Nem sempre o que é politicamente incorreto em uma época o é em outro período da História. No próprio corpo da lei que ela propõe tem enorme contradição, pois ela prega o preconceito e discriminação por questões políticas ou de ideologia.

Esperamos prevaleça o bom senso e que essa proposta seja abduzida dos registros da Câmara.

Seria melhor que a vereadora, em vez desse dedicar a “destruir” a história fizesse propostas propositivas e fosse uma boa vereadora, para que, um dia, quem sabe não caísse no esquecimento e tivesse a chance de tem seu nome em um logradouro público, sem ninguém contestar pelo disparate dessa sugestão apresentada por ela.

Leiam o livro “PESSOAS- os Protagonistas da História de Juiz de Fora” e conheça essas pessoas citadas e outras histórias, livro totalmente escrito dentro da maior diversidade possível, buscando alcançar a maior heterogeneidade no que diz respeito a raças, credos e gêneros e ideologias, onde, a própria vereadora também tem seu espaço.

Luiz Antônio Stephan

Memorialista, pesquisador da História de Juiz de Fora.

Formação em Comunicação Social –PP

Autor do livro: “PESSOAS- os Protagonistas da História de Juiz de Fora” - 2021


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