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200 anos da Imigração Alemã no Brasil 1824-2024

O primeiro "alemão" a chegar ao Brasil foi o astrônomo e cosmógrafo Meister Johann, exercendo a função de náutico de Pedro Álvares Cabral. Natural de Emmerich, atual Alemanha, por ocasião da descoberta, emitiu o "certificado de nascimento do Brasil". 

Hans Staden (1525-1576), de Homberg, também esteve no Brasil e foi quem escreveu o primeiro livro em língua alemã sobre o Brasil. 

No Século XIX, acompanhando a Imperatriz Leopoldina, que era austríaca, vieram alguns cientistas, entre os quais os zoólogos Johann Naterrer (Viena) e Johann Baptist Spix (Francônia) e o botânico Friedrich Philipp von Martius (Francônia).  Ainda nesse século, o Marquês de Pombal foi o primeiro no Brasil a tentar se valer de alemães na agricultura, ao fundar a Vila Viçosa da Madre de Deus no Amapá, onde produziram alimentos para os habitantes da Fortaleza de Macapá. Foram consumidos por indígenas e por mosquitos.[1]

Também no século XIX, o Príncipe Regente Pedro e José Bonifácio de Andrada e Silva, ministro do Reino e dos Negócios Estrangeiros, enviaram o ajudante de ordens da Princesa Leopoldina, Georg Anton von Schaeffer, à Europa Central em busca de contingentes militares.  Schaeffer, no entanto, insistiu com os governantes brasileiros para que trouxessem, também, agricultores e artesãos. Recomendou que os colonos fossem instalados em áreas que não houvesse escravos e que se fizesse colonização com pessoas livres.

Em 1822 duas colônias foram criadas na Bahia pelo major: a Frankenthal, às margens do rio Jacarandá, afluente do rio Peruíbe, e a de São Jorge de Itabuna, com 28 casais e 161 pessoas, que foram expostas a situações degradantes como a falta de recursos e às doenças tropicais.

Em 13 de janeiro de 1824 chega Ao Rio de Janeiro o navio Argus e seus tripulantes foram encaminhados à uma colônia em Nova Friburgo, região serrana, para substituir colonos suíços que tinham abandonado as terras, que seriam de má qualidade. [2]

“Como as colônias da Bahia e de Nova Friburgo não atenderam às expectativas do Império “ [3],   considera-se como marco oficial da imigração alemã no Brasil a data da fundação de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul em 25 de julho de 2024.  Essa colônia foi formada por 39 pessoas que partiram de Hamburgo, na Alemanha em 17 de dezembro de 1823 a bordo do navio Caroline.

Posteriormente, inúmeras outras colônias foram criadas na região Sul e Sudeste do Brasil, por cerca de 4, 5 milhões de imigrantes de língua alemã,

A imigração continuou no século 20, com um grande fluxo de pessoas chegando após a Primeira Guerra (1914/1918) e a da Segunda Guerra 1939 a 1945.

Atualmente, calcula-se que cerca de 10 milhões de pessoas dessa etnia vivem na sociedade brasileira completamente integradas, com uma enorme riqueza de hábitos e costumes. Por onde os imigrantes alemães e seus descendentes brasileiros passavam, eles fundaram escolas, hospitais, igrejas, clubes, sociedades, cervejarias, estúdios de fotografia, jornais, entre outros, tendo deixado, assim, suas marcas na sociedade e na cultura brasileira. [4]

Em Juiz de Fora, a história com os “alemães” começa com Heinrich Wilhelm Ferdinand Halfeld, Nascido no Reino de Hannover em 23 de fevereiro de 1797, que foi trazido ao Brasil em 1825 por Georg Anton von Schaeffer, para integrar o Imperial corpo de Estrangeiros formado por D. Pedro I. Por ter formação em engenharia, em 1837 foi incumbido de construir a Estrada do Paraibuna ligando Vila Rica à Paraibuna, na divisa com o Rio de Janeiro e quando as obras atravessaram nossa região, surgiu o povoado que, mais tarde, se tornou Juiz de Fora, sendo Halfeld considerado fundador dessa.

Posteriormente 120 alemães (mais ou menos 20 profissionais e suas famílias), que trabalhavam como folheiros, seleiros, carpinteiros, fabricantes de carroças, ferreiros, entre outros, foram trazidos para trabalhar na Cia União Indústria, em Santo Antônio do Paraibuna (futura Juiz de Fora), onde chegaram em janeiro de 1856.

Já em 1858 cerca de 230 famílias, num total de 1.162 imigrantes vieram formar a Colônia D Pedro II.

Os Alemães e seus descendentes se destacaram na formação da cidade e ajudaram a enriquecer esse rincão. Forneceram mão de obra e empreendedores para suas indústrias, Intelectuais, acadêmicos e profissionais que tanto colaboraram para que essa cidade fosse a grande metrópole que é nos dias atuais.

 

Luiz Antônio Stephan

Bacharel em Comunicação Social- Publicidade e Propaganda em 2013

Diretor do Sindicato do Comércio de Juiz de Fora, 1983/1999 (Presidente 1988/1998), Diretor da Associação Comercial de Juiz de Fora 1985/ 1997 (Presidente 1985/ 1987),

Ex. Diretor da Associação Alemã; ex Diretor do Instituto Cultural Teuto Brasileiro



[1] cf. Oberacker, 1966, Martin N. Dreher http://brasil-alemanha.com/

[3] Jorge Luiz da Cunha Professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e autor do livro Imigração alemã no Rio Grande do Sul, e historiador

[4] Agenda Alemã no Brasil

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