Poesia  e filosofia de vida Juiz -forana

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José Carlos de Lery Guimarães

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Belmiro Braga

Belmiro Braga

Hegel Pontes

Cleonice Rainho

"Xeque" tu diz à vida

E julgas, homem, ser forte

Mas no final da partida

Xeque mate" diz a morte 

                 Hegel Pontes

OS HOMENS CONSTROEM AS CIDADES

ULTIMO SUSPIRO

MELHOR AMIGO

RAPSÓDIA

 

(Roberto Medeiros)

 

Ao poeta José Antonio Jacob

Com minha alma transbordando

De ansiedade e ternura,

Como a luz fui penetrando

Pelas frinchas da moldura

Daquele reino de opala,

Nesta aquarela chinesa,

Onde devia encontrá-la

Desperdiçando beleza! ...

O sol redondilhando o chão

Abria leques nas sombras

Diluindo a escuridão

Preguiçosa nas alfombras...

Raios de luz qual palhetas

Neste painel que deslumbra,

Projetavam silhuetas

Afugentando a penumbra! ...

Envolta em fluída neblina

Que revestia as veredas,

Minha alma ouvia em surdina,

Como sussurros de sedas,

A sinfonia dos ventos,

Os acordes das aragens

Perfumando estes momentos

Com a romã das folhagens! ...

Coloridos matinais,

Gorjeios e murmurinhos,

Doces notas musicais

Da orquestra de passarinhos,

Naquele sonoro estúdio,

Enternecido eu ouvia,

Suavíssimo prelúdio

Em homenagem ao dia! ...

Vi o bailado das folhas

Que em provocantes acintes

E caprichosas escolhas

Sofisticavam requintes,

Como se fossem ciganas

Rodopiavam felizes

E teciam filigranas

No arabesco das raízes...

Formando um leito de plumas

Coberto por nuvens brandas,

Tecido em fio de espumas,

Debruado por guirlandas...

Macia alcova de fada

Feita por anjos travessos,

Para as delícias da amada,

Com lascivos adereços...

Carpindo loas aflitas

Em redondilhas sonoras,

Pensavam cousas não ditas

Na amarga fuga das horas,

À espera que ela surgisse

Aplacando os meus desejos,

Com sua graça e meiguice,

Com seus carinhos e beijos! ...

Na deslumbrante aquarela

Por mãos divinas pintada,

Ela surgiu bem mais bela

Que as nuances da alvorada,

Vaporizando os martírios

Destas horas tão ansiosas,

Com a fragrância dos lírios,

Com o perfume das rosas! ...

Era a manhã que nascia

Gêmea da própria manhã

Que invejosa se escondia

Ante a beleza da irmã...

Era um poema de luz

Refletindo em rosicler,

Um sorriso que seduz,

Os encantos da mulher! ...

No murmúrio de quem ousa

Partilhar as reticências,

Seu olhar no meu repousa

Pejado de confidências...

Lindas mensagens cifradas,

Resumo de nossas vidas:

Perguntas não formuladas,

Respostas não proferidas! ...

Inesquecíveis segundos

Que nos valeram por anos

Cristalizando profundos,

Nossos anseios humanos

Que o tempo nunca desmente

Embora passe veloz,

Testemunhando silente

O que existiu entre nós...

Enquanto a manhã vibrava

Na adolescência do dia,

A noite em minha alma escrava

Soturnamente descia

Na porcelana do ocaso

Do meu sonho interior,

Que contrafeito extravaso

Em pesadelos de dor...

Porque vejo com tristeza,

Maculando esta obra-prima,

Serem mais que a natureza

E o próprio amor que sublima,

Que preconceitos e normas

Que a praxe determinou

Na indumentária das formas

Que a mente humana criou! ...

E a natureza se acalma,

Presságio de despedida,

Eclipse na minha alma,

Pôr-do-sol de minha vida...

Adeus meu reino de opala,

Berço de instantes risonhos,

Adeus derradeira escala,

Campo sonho dos meus sonhos! ...

Nos deslises de quem ama,

Quando o jogo estava empate

Quis conquistar uma dama

e levei um xeque mate...

             Hegel Pontes

No xadrez, jogo profundo

Respondo lance por lance

Mas, em seus lances, ó mundo

Nunca me deu igual chance

Roberto Medeiros

O sucesso do xadrez, 

É similar ao da vida

Sempre influi o que se fez

No começo da partida

             Sinval E. da Cruz

O xadrez repete a vida

Em sucessivas lições

Quando a nobreza é atingida

Sacrificam-se os peões

             Sinval E. da Cruz

Quando levo cheque- mate

Meu pesar não é profundo

O que de fato me abate

É levar cheque sem fundo             Sinval E. da Cruz

Ao fitá-la eu desejei

Como enxadrista atrevido

Fazer jogadas de Rei,

No xadrez de seu vestido

                  Hegel Pontes

Que se ganha na partida,

Se a morte nunca dá chance

Ganha-se o tempo de vida

Que transcorre em cada lance

 Jose Carlos de Lery Guimarães

Sobre nós, mão invisíveis

De um enxadrista Profundo

Fazem jogadas incríveis

No imenso xadrez do mundo

                  Hegel Pontes

Suporto com altivez

Os reverses da partida

-Somos peças de xadrez

No tabuleiro da Vida

Roberto Medeiros